Crítica | "Marta, a consertadora de guarda-chuvas": os desafios e a beleza de contar uma história corriqueira
Marta, consertadora de guarda-chuvas é um curta-metragem dirigido por Dannyel Leite que é ao mesmo tempo ambíguo e paradoxal pela sua dualidade. Trata-se de um filme documental que brinca entre o real e o ficcional no sentido poético e simbólico, não narrativo, e nele conhecemos Marta, uma senhora que trabalha consertando guarda-chuvas dos moradores da região onde mora.
A ideia de trazer visibilidade à uma senhora que reserva seu tempo consertando guarda-chuvas é, por si só, suficientemente poético já que não é tão usual, além de que pelos dois relatos de Marta, entendemos que grande parte da sua relação com a vizinhança se dá através dos guarda-chuvas. Nesse sentido, os momentos em que ouvimos a protagonista e a observamos realizando as suas atividades do dia a dia, enxergamos uma felicidade genuína pela atividade, dando-nos satisfação em assistir o documentário.

Portanto, ainda que o filme se desenrole com um bom desenvolvimento, a sensação que é transmitida é de que o diretor “tirou leite de pedra", e isso acontece porque ainda que a história da Marta seja interessante, a monotonia da sua rotina acaba sendo refletida nos seus relatos. O filme possui 11 minutos, com relatos curtos que não contribuem com a construção de conexão entre espectador e personagem. Não existe muito o que ser contado, o que não anula o fascínio presente na atividade realizada por ela.
Marta, consertadora de guarda-chuvas é um documentário cru e que apresenta pureza narrativa e estética, em que Dannyel Leite deixa claro para o espectador que uma história não precisa de complexidade para ser contada, e que a beleza pode se localizar nas tarefas simples da nossa rotina.
O filme encontra-se disponível na plataforma de streaming Vera.
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